Na leitura de todos os textos, porém, inclusive das ilustrações, percebemos a índole poética do seu autor, o seu logos interior, transmutado em densa verdade poética e de sentido multiforme, em todo o caso repassada de elegia e desengano, capaz todavia de esperança e de comovida celebração da alegria do mundo e da vida.
O livro partir tarde é chegar nunca apresenta um corpus textual de precisamente 65 poemas, entre éditos (reimpressos e ou agora em livro; retomados e ou refundidos) e inéditos, agora pela primeira vez publicados, agrupados todos em duas partes, a última das quais se intitula “Poemas em Tempo de Pandemia”, esta última albergando um conjunto de 23 textos, todos notáveis caracterizadores do presente pandémico do SARS-COV 2 e dos confinamentos sociais a que por conta disso e para nossa defesa temos sido submetidos. Quase todos os poemas (à exceção de dois) apresentam-se datados e algumas vezes apontada a circunstância em que radica a respetiva génese, como nos poemas “luto”, “natália”, “recusa”, “amores em Porto Santo”, “requiem para um poeta”, “as horas”, “primavera”, “as coisas”, “sete pedaços”, “a fonte”, para além justamente do grupo reconhecido como “Poemas em Tempo de Pandemia”, de que 4 são ainda em especial circunstanciados, designadamente os poemas “elegia”, “o jardim José do Canto”, “passeiam-se as sombras” e “mulher”. Contados os reconhecidamente mencionados como já éditos, em número de 6, temos que o presente volume entrega à história literária um conjunto de 59 inéditos, a que o poeta, ele também artista plástico, acrescentou 9 ilustrações de acrílico sobre papel, não legendadas.
Victor de Lima Meireles (Victor Manuel de Lima Meireles Pacheco) nasceu na freguesia de São José de Ponta Delgada, foi codirector e membro fundador da Academia das Artes de Ponta Delgada e vogal da Delegação nos Açores da Fundação Natália Correia e do Instituto Cultural de Ponta Delgada. Fundador e membro da Associação dos Genealogistas dos Açores e da Fundação Sousa d’Oliveira. Entre as muitas obras do autor, podem aqui ser referidos o conto As Amarras e os livros de poesia Nunca Mais e Foi Sempre; O Todo a Parte Alguma; A Lapinha; Amargo Lírico; Mater; O Órfico Fio Que a Mão Gera; assim como os estudos: Natália Correia – Subsídios para a Genealogia; Cecília Meireles – Aspectos para uma Biografia; Apontamento Genealógico sobre Natália Correia e Ângela Almeida – Ramos Inéditos; e Frey João Meyrelles nas Genealogias Micaelenses. Está referenciado na Antologia Poética dos Açores, vol. II, Coleção Gaivota, Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1984, de Ruy Galvão de Carvalho; na Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa, 1995; no livro Concelho de Ponta Delgada, 500 Anos de História, Cronologia de Figuras e Factos (1499-1999), de José Andrade, e na História dos Açores (1935-1974), de Carlos Melo Bento. Em 2 de Abril de 2015, a Câmara Municipal de Ponta Delgada atribuiulhe o ‘’Diploma de Reconhecimento Municipal. Em 7 de Dezembro de 2018, foi homenageado com o descerramento de uma fotografia na ‘’Galeria dos Notáveis’’, na Junta de Freguesia de São José.